domingo, 21 de dezembro de 2008

2009 - IN MEDIA VITA

- Não, a vida não me desiludiu! A cada ano que passa eu a sinto mais verdadeira, mais desejável e misteriosa -desde aquele dia em que veio a mim o grande liberador, o pensamento de que a vida poderia ser uma experiência de quem busca conhecer - e não um dever, uma fatalidade, uma trapaça!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Flaubert, "Préface à la vie d'écrivain"

É possível que desde Sófocles todos nós sejamos selvagens tatuados.
Mas na Arte existe alguma outra coisa...
Temos coisas demais para as formas que possuímos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ABC: EDUCAÇÃO DA DIFERENÇA


No forno


ABECEDÁRIO:

educação da diferença

Com alegria, noticiamos o lançamento do livro Abecedário: educação da diferença, para o início de 2009, pela Editora Papirus.
Organizado por Sandra Mara Corazza (UFRGS) e Julio Groppa Aquino (USP), o livro é composto por 46 verbetes, produzidos por 30 colaboradores.
Os autores, individualmente ou em parceria, produziram 02 dos verbetes: um integrante do léxico da Filosofia da Diferença e o outro do léxico da Educação. Dois continentes discursivos que se atravessaram na constituição de um espaço-istmo, deliberadamente formado para desalojar e reinventar ambos os continentes. Istmo? Sim, aquela estreita faixa de terra que liga uma ilha a outra ilha, uma ilha a um continente, ou um continente a outro. Terra de passagem, ponte transtornada, traço povoador.

Verbetes:

Agenciamento... Aprender... Bando...
Brincar... Corpo sem órgãos... Currículo...
Desigualdade... Devir... Ensinar...
Esquizoanálise... (o) Fora... Formação de professores...
Geologia da moral... Gestão escolar...
Habilidades e competências... Hecceidade...
Imagem do pensamento... Inclusão escolar... Jogo de dados...
Jornada escolar... Legislação educacional... Linhas...
Máquina... Metodologia do ensino... Níveis de ensino...
Nomadismo... Orientação educacional... Outrem...
Plano... Pré-Requisitos... (o) Que é a Filosofia?...
(o) Que é a Pedagogia?... Regimento escolar...
Rizoma... Sala de aula... Sociedade de controle...
Tecnologia educacional... (des)Territorialização... Universidade...
Univocidade do ser... (trans)Valor-iz-ação do magistério...
Virtual/atual... (o) X da questão... Xerox... Zero...
Zona de variação contínua...

Colaboradores:

Adélia Pasta - Alexandre de Oliveira Henz
- Carla Gonçalves Rodrigues - Cintya Regina Ribeiro
- Cláudia Maria Perrone - Cristiano Bedin da Costa
- Daniel Dutra - Deniz Alcione Nicolay
- Eduardo Pellejero - Ester Maria Dreher Heuser
- Gabriel Sausen Feil - Gonzalo Sebastián Aguirre
- Jadson Fernando Garcia Gonçalves - Jorge Leal Eiró da Silva
- José Menna - Julio Groppa Aquino
- Karen Elisabete Rosa Nodari
- Luciano Bedin da Costa - Luiz Fuganti
- Marcos da Rocha Oliveira - Maria Elizabeth Barros de Barros
- Monica Cristina Mussi - Pablo Esteban Rodríguez
- Paola Zordan - Rosana Fernandes
- Sandra Gorni Benedetti - Sandra Mara Corazza
- Selda Engelman - Tania Mara Galli Fonseca -
Thomas Stark Spyer Dulci - Vânia Dutra de Azeredo -
Walter Omar Kohan

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

OFICINAS DE ESCRITURA II: "A BIOGRAFEMÁTICA"

Aguardem
OFICINAS DE ESCRITURA II
"A BIOGRAFEMÁTICA"
2009
duração 2 meses
40h-a

domingo, 16 de novembro de 2008

Tese-ficção

A ficção que vale um doutorado
Prestigiados pelo mercado editorial, romances apresentados como teses em bancas de pós-graduação colocam em debate o gênero tradicional de escrita acadêmica
Edgard Murano
Adriana Lisboa, de Rakushisha: incentivo do orientador para criar romance em vez de teseA tendência pode até ter antecedentes de luxo, como Friedrich Nietzsche e Roland Barthes, mas foi o mais recente prêmio Jabuti, entregue em setembro, que deu a ela uma visibilidade rara no país. Antes de virarem finalistas nas categorias romance e conto-crônica deste ano, três obras de ficção haviam passado pelo caprichoso ritual das bancas examinadoras, apresentadas que foram como teses de doutorado ou monografias de fim de curso em faculdades.
Os romances Rakushisha (Rocco), de Adriana Lisboa, e A Chave de Casa (Record), de Tatiana Salem Levy, são ficção da gema. Nem por isso deixaram de ser avaliados como ensaios acadêmicos na pós-graduação de conceituadas universidades cariocas, Uerj e PUC-Rio, respectivamente. Já Histórias de Literatura e Cegueira (Record), de Julián Fuks, foi uma distinta monografia de fim de curso em jornalismo, na USP. Os três livros mostram uma ruptura flagrante de gênero, que está longe de ser desprezível. O modelo tradicional de escrita, produzido em áreas de conhecimento predominantemente acadêmicas, em particular nas chamadas ciências humanas, é de outra estirpe. É marcado pelo estilo ensaístico, tantas vezes formal, com discurso em geral em terceira pessoa, de todo modo fundado no rigor da pesquisa, na busca por evidenciar erudição e invariavelmente com respaldo em citações que, aos olhos de um leitor não-acadêmico, parecem mais interromper o fluxo de leitura do que outra coisa.
Nada disso caracteriza as três peças de ficção que se tornaram finalistas do Jabuti 2008. No entanto, todas foram chanceladas pelo meio acadêmico.
Flexibilidade relativaÉ verdade que os casos atuais contam com o precedente ilustre do escritor Esdras do Nascimento, que em 1977 defendeu na UFRJ aquele que é considerado por muitos o primeiro romance-tese brasileiro, Variante Gotemburgo. O exemplo de Esdras, de criar um romance sobre a construção de um romance, orientado na época por Afrânio dos Santos Coutinho, notabilizou-se como um caso pioneiro, até então isolado.
O fenômeno atual, no entanto, pode ser indicador de uma flexibilidade inédita. Ela pode não ser propriamente a tônica majoritária em cursos de Letras ou Comunicação de todo o país. Mas mostra a disposição da Universidade brasileira - parte dela, ao menos - à experimentação que se propõe a retirar algo da poeira previsível que parece contaminar sua linguagem e aumentar o fosso entre público e academia.
Nesse processo, teses vêm adotando cada vez mais estruturas flexíveis e abertas, a ponto de, em alguns casos, flertarem com a classificação de ensaio literário, quando não a de descarada ficção.
- O fato de a academia estar menos sisuda em relação às suas teses é um fenômeno natural. Está havendo uma mudança, uma espontaneidade, que por sua vez está gerando trabalhos mais flexíveis - pondera Márcia Lígia Guidin, integrante da comissão do prêmio Jabuti 2008.Tatiana Levy, autora de uma das obras finalistas (A Chave de Casa), acredita que a universidade, além de um espaço dedicado à transmissão do saber, também deveria pautar-se por experimentações. Ela conta que já havia completado mais da metade de sua pesquisa de doutorado quando resolveu apresentar um romance como tese.
- Eu fazia uma pesquisa sobre memória e legado, temas presentes no livro. Foi então que Marilia Rothier, minha orientadora, me sugeriu entregar um romance - conta Tatiana, formada em Letras pela UFRJ e que também fez mestrado na PUC-Rio.
ExperimentaçãoMarilia Rothier, professora do Departamento de Letras da PUC-Rio, sugeriu à sua orientanda que em vez de uma análise, "algo que qualquer um faria", ela poderia escrever um romance, o qual foi seguido de um posfácio explicativo.
- Ela já estava propensa a escrever uma ficção, então insisti para que o fizesse - afirma Rothier, que tem percebido um interesse cada vez maior dos alunos por uma linguagem menos formal.
Tatiana Levy recorda que, enquanto concluía seu romance-tese, soube de pelos menos mais três outras teses sendo produzidas em forma de ficção, duas na Uerj e outra na UFRJ, esta orientada pelo crítico Silviano Santiago.
ResistênciaEssa flexibilidade, no entanto, está longe de ser hegemônica na vida acadêmica brasileira e iniciativas do gênero ainda sofrem as resistências do meio.
Julián Fuks, outro finalista no Jabuti, era aluno da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP) quando teve o impulso de escrever Histórias de Literatura e Cegueira como trabalho de conclusão de curso de jornalismo, em 2004. Fuks teve dificuldade para encontrar um orientador para o seu trabalho, que contou com liberdades em relação ao modelo tradicional acadêmico: forma narrativa, intertextualidade sem recorrer a citações explícitas e mistura de ficção com dados biográficos.
Embora constassem do projeto original, tais "desvios" em relação à norma acadêmica não tinham, de início, alarmado seu orientador. Até que Fuks lhe entregou a primeira parte do escrito. Diante do caráter experimental e pouco acadêmico do trabalho, o professor o aconselhou a abandonar o que já tinha feito e mudar o discurso. A solução de Fuks foi mudar de orientador.
- Desde o primeiro momento em que foi ganhando consistência em mim a idéia de escrever sobre escritores que ficaram cegos, eu sabia que o tema perderia muito se tivesse de atender aos moldes de um trabalho acadêmico convencional - afirma Fuks.
IncentivoPara Adriana Lisboa, autora de Rakushisha, o trabalho de pesquisa e redação de sua tese de doutorado não encontrou tantos percalços, como o que Fuks sofreu. Seu orientador chegou até a incentivá-la a escrever um livro de ficção em vez de uma tese teórica clássica. Desde o início, Adriana tinha em mente a publicação do trabalho, pois já contava com uma carreira literária e cinco livros publicados.
- Essa abertura da academia a novos trabalhos é mais do que bem-vinda: é inevitável. Um trabalho de ficção, tradução ou um roteiro de cinema que seja criado com pesquisas na área de literatura se justificam perfeitamente como dissertação de mestrado ou tese de doutorado, sem nenhuma necessidade de prefácios ou posfácios para legitimá-los - defende Adriana.
A escritora-doutora não vê, na diluição das fronteiras entre gêneros, algo bom ou ruim, e sim uma possibilidade a mais aos escritores acadêmicos. Embora não haja um levantamento com estatísticas precisas sobre esse fenômeno, relatos sobre dissertações e teses que abandonaram o formato tradicional já não espantam o mundo acadêmico.
- Esse fluxo agora repentino de teses escritas como romance, refletidas no prêmio Jabuti, é uma expressão minoritária do que está acontecendo, mas nem por isso menos importante, porque de fato são títulos de interesse - afirma Jezio Hernani Bomfim Gutierre, editor-executivo da Fundação Editora da Unesp.
FantasiaNa Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a busca por novas formas e projetos de cunho pessoal culminou na criação de um grupo de pesquisas chamado DIF - artistagens, fabulações, variações. Junto ao programa de pós-graduação em Educação da UFRGS, seguindo a linha de pesquisa "Filosofia da diferença e educação", o grupo coordenado pela professora Sandra Mara Corazza discute não só o formato de trabalhos acadêmicos como também formas alternativas de expressão.
- Buscamos criar novas sensibilidades e novas maneiras de pensar, pesquisar, ler e escrever os componentes educacionais e seus correlatos. É preciso que o sujeito seja um bom artesão e também um esteta, além de um pesquisador de palavras, frases e imagens - afirma Sandra Corazza.A professora encontra amparo no crítico e intelectual francês Roland Barthes (1915-1980) ao defender o "querer-escrever" dos acadêmicos, a vontade de personalizar um estilo, testando a fronteira dos gêneros de escrita. Haveria, segundo a concepção de Sandra, "fantasias de escritura" a serem contempladas mesmo por um texto acadêmico.
- Fantasias de escritura: uma força desejante, um eu produzindo um objeto literário, um objeto científico, um objeto curricular, formado ao ser escrito. Segundo uma tipologia grosseira, esse objeto pode ser um poema, um romance, um artigo, uma monografia, uma dissertação, uma tese, um currículo, um texto que diga como se deve educar uma criança, como dar uma aula etc. - afirma a professora.
A "fantasia", diz Sandra, seria como uma energia, um motor que poria em marcha a escritura, qualquer escritura. Advoga-se, com isso, para a árida produção acadêmica, o mesmo impulso de prazer proporcionado pelos textos mais saborosos. É o texto visto como um ato de amor. Amar, escrever, ler e criticar fariam parte do mesmo campo de ação, que significa, para Sandra, fazer justiça a quem estudamos.
AntecedentesA idéia seria inspirada em Barthes. Considerado um pensador que ajudou a fundamentar as propostas de mudança de linguagem acadêmica, Roland Barthes produziu obras cheias de vigor e criatividade, imprimindo um estilo próprio à exposição de suas teorias. O saber com sabor.
No ensaio "Jovens Investigadores" (Jeunes Chercheurs, 1972), do livro O Rumor da Língua (Edições 70, 1984, tradução de António Gonçalves), Roland Barthes define as agruras dos cientistas iniciantes às voltas com a hierarquização do discurso acadêmico:
"No limiar do seu trabalho, o estudante sofre uma série de divisões", conta Barthes. "Enquanto intelectual, ele é arrastado na hierarquia dos trabalhos", mas, continua o francês, "enquanto investigador, está votado à separação dos discursos: de um lado o discurso da cientificidade (discurso da lei) e, do outro, o discurso do desejo, ou escrita".
O discurso do desejo ou escrita, ao qual se refere Barthes e cuja acepção a professora Sandra Corazza toma emprestado, é o desejo do registro livre, subjetivo, literário. Para os que defendem essa abertura, a questão é: se a tese acadêmica é o ponto alto da reflexão universitária, por que ela deveria seguir um formato fixo, cristalizado, em vez de espelhar uma experiência mais radical do pensamento?Em contrapartida, a padronização que se deseja transgredir está ligada ao caráter universal do conhecimento, uma das premissas da Universidade, o que gera o receio de que a pesquisa possa se perder nos maneirismos e técnicas da arte.
José Luiz Fiorin, professor de lingüística da USP e colunista da Língua, vê com reservas essa transgressão:
- Está havendo uma mudança nos parâmetros da tese dentro da esfera acadêmica. A concepção científica vigente levava a uma ausência de marcas de subjetividade no texto, como o uso da 1ª pessoa do singular. Hoje, com o questionamento de um dado modelo de ciência, é usual a presença dessas marcas. No entanto, o abandono total do discurso científico traz consigo não uma crítica racional à ciência, mas uma descrença irracional na sua possibilidade. Isso significa a negação da ciência. Além do mais, nunca vi as tentativas de substituir uma tese por um romance, por exemplo, resultarem num bom romance.
Tatiana Levy, de A Chave de casa: universidade como espaço de ousadiaCriseCasos como os de Nietzsche, por exemplo, podem ser antes exceções históricas que confirmam a regra preconizada por Fiorin. Estaria no filósofo talvez a mais aguda percepção da crise discursiva da linguagem dos pensadores, embora outros filósofos, como os franceses Voltaire e Rousseau, também usassem da forma ficcional para desenvolver raciocínios e defender teses.
Uma nova maneira de sentir, uma nova maneira de pensar, cita Sandra Corazza, repetindo palavras atribuídas a Nietzsche. Assim Falou Zaratustra, escrito em 1884, é ficção filosófica de estirpe, baseada na idéia de que seria impossível denunciar os limites da razão usando para isso uma forma racional, argumentativa. A escolha de linguagem é entre a que imita o solar e perfeito Apolo, que não admite a mancha da vida dentro de si, e a que flerta com o estilo visceral e artístico de Dioniso.
Nietzsche desconfiava que só uma linguagem dionisíaca seria capaz de dar conta da denúncia aos limites da razão apolínea. Para pensar certos temas, seria preciso, antes de tudo, cantar. As teses que namoram a ficção parecem ecoar esse espírito. A constatação de que nem tudo é respondido apenas porque parecemos rigorosos e que, para um mundo de respostas tão incertas, a qualidade da pergunta pode valer tanto quanto a garantia dada por nossa resposta.
O desejo no texto acadêmico
Leia trecho em que o crítico francês Roland Barthes sugere modalidade de escrita mais vigorosa para o ensaio acadêmico
"O trabalho (de investigação) deve ser colhido no desejo. Se esse desenvolvimento se não realiza, o trabalho é moroso, funcional, alienado, movido unicamente pela necessidade de passar um exame, de obter um diploma, de assegurar uma promoção de carreira. Para que o desejo se insinue no meu trabalho, é preciso que esse trabalho me seja pedido, não por uma colectividade que entende certificar-se do meu labor (da minha pena) e contabilizar a rentabilidade das prestações que me consente, mas por uma assembléia viva de leitores na qual se faz ouvir o desejo do Outro (e não o controlo da Lei). Ora na nossa sociedade, nas nossas instituições, o que se pede ao estudante, ao jovem investigador, ao trabalhador intelectual, não é nunca o seu desejo: não lhe é pedido que escreva, é-lhe pedido, ou que fale (ao longo de inúmeras exposições), ou que "relate" (em vista de controlos regulares)."
Extraído de "Jovens Investigadores" (Jeunes Chercheurs, 1972), do livro O Rumor da Língua (Edições 70, 1984, tradução de António Gonçalves)

- A imaginação insaciável de Borges
- Bumba, meu Boi!
- A retórica de protesto
- A data das palavras

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

INCAPAZ DE AGUENTAR


Certas coisas você deve ser sempre incapaz de aguentar. Certas coisas você nunca deve parar de se negar a aguentar. Injustiça e afronta e desonra e vergonha. Não importa se você é muito jovem ou se está muito velho. Nem por prestígio nem por dinheiro: nem por seu retrato no jornal nem pela conta no banco. Simplesmente se negue a aguentá-las.

(William Faulkner, O intruso.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

domingo, 19 de outubro de 2008

A Genialidade da Multidão, Charles Bukowski



A GENIALIDADE DA MULTIDÃO

Há bastante deslealdade, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano
comum
Para suprir qualquer exército em qualquer
dia.
E O Melhor No Assassinato São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E O Melhor No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E O MELHOR NA GUERRA
--FINALMENTE--SÃO AQUELES QUE
PREGAM
PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam PAZ
Não têm paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidados com os Sabedores.
Cuidado
Com Aqueles Que
Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS
Cuidado Com Aqueles Que Detestam
Pobreza Ou Que São Orgulhosos Dela
CUIDADO Com Aqueles Que Elogiam Fácil
Porque Eles Precisam De ELOGIOS De Volta
CUIDADO Com Aqueles Que Censuram Fácil:
Eles Têm Medo Daquilo Que
Não Conhecem
Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantes
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos
Cuidado
Com O Homem Comum
Com A Mulher Comum
CUIDADO Com O Amor Deles
O Amor Deles É Comum, Procura
O Comum
Mas Há Genialidade Em Seu Ódio
Há Bastante Genialidade Em Seu
Ódio Para Matar Você, Para Matar
Qualquer Um.
Sem Esperar Solidão
Sem Entender Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Seja Diferente
Deles Mesmos
Incapazes
De Criar Arte
Eles Não Irão
Compreender Arte
Eles Vão Considerar Sua Falha
Como Criadores
Apenas Como Uma Falha
Do Mundo
Incapazes De Amar Completamente
Eles Vão ACREDITAR Que Seu Amor É
Incompleto
E ELES VÃO ODIAR
VOCÊ
E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Sua Mais Fina
ARTE


The Genius of the Crowd
There is enough treachery, hatred,
violence,
Absurdity in the average human
being
To supply any given army on any given
day.
AND The Best At Murder Are Those
Who Preach Against It.
AND The Best At Hate Are Those
Who Preach LOVE
AND THE BEST AT WAR
--FINALLY--ARE THOSE WHO
PREACH
PEACE
Those Who Preach GOD
NEED God
Those Who Preach PEACE
Do Not Have Peace.
THOSE WHO PREACH LOVE
DO NOT HAVE LOVE
BEWARE THE PREACHERS
Beware The Knowers.
Beware
Those Who
Are ALWAYS
READING
BOOKS
Beware Those Who Either Detest
Poverty Or Are Proud Of It
BEWARE Those Quick To Praise
For They Need PRAISE In Return
BEWARE Those Quick To Censure:
They Are Afraid Of What They Do
Not Know
Beware Those Who Seek Constant
Crowds; They Are Nothing
Alone
Beware
The Average Man
The Average Woman
BEWARE Their Love
Their Love Is Average, Seeks
Average
But There Is Genius In Their Hatred
There Is Enough Genius In Their
Hatred To Kill You, To Kill
Anybody.
Not Waiting Solitude
Not Understanding Solitude
They Will Attempt To Destroy
Anything
That Differs
From Their Own
Not Being Able
To Crate Art
They Will Not
Understand Art
They Will Consider Their Failure
As Creators
Only As A Failure
Of The World
Not Being Able To Love Fully
They Will BELIEVE Your Love
Incomplete
AND THEN THEY WILL HATE
YOU
And Their Hatred Will Be Perfect
Like A Shining Diamond
Like A Knife
Like A Mountain
LIKE A TIGER
LIKE Hemlock
Their Finest
ART

I SARAU INFANTIL DO DIF


sábado, 18 de outubro de 2008

Hino a Pã



De Mestre Therion(Aleister Crowley)

Vibra do cio sutil da luz,

Meu homem e afã!

Vem turbulento da noite a fluxo

De Pã! Iô Pã!Iô Pã! Iô Pã!

Do mar de além

Vem da Sicília e da Arcádia vem!

Vem com Baco, com fauno e fera

E ninfa e sátiro à tua beira,

Num asno lácteo, do mar sem fim,

A mim, a mim!

Vem com Apolo, nupcial na brisa

(Pegureira e pitonisa),

Vem com Artêmis, leve e estranha,

E a coxa branca, Deus lindo, banha

Ao luar do bosque, em marmóreo monte,

Manhã malhada da âmbrea fonte!

Mergulha o roxo da prece ardente

No ádito rubro, no laço quente,

A alma que aterra em olhos de azul

O ver errar teu capricho exul

No bosque enredo, nos nós que espalma

A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente — do mar sem fim

(La Pã! Iô Pã!),

Diabo ou deus, vem a mim, a mim!

Meu homem e afã!

Vem com trombeta estridente e fina

Pela colina!

Vem com tambor a rufar à beira

Da primavera!

Com frautas e avenas vem sem conto!

Não estou eu pronto?

Eu, que espero e me esforço e luto

Com ar sem ramos onde não nutro

Meu corpo, lasso do abraço em vão,

Aspire aguda, forte leão — Vem, está vazia

Minha carne, fria

Do cio sozinho da demonia.

A espada corta o que ata e dói,

O’ Tudo-Cria, Tudo-Destrói!

Dá-me o sinal do Olho Aberto,

E de coxa áspera o toque ereto,

E a palavra do Louco e do Secreto,

O ‘ Pã! Iô Pã!Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã!

Sou homem e afã:

Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande!

Meu Pã!Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra

Do aperto da cobra.

A águia rasga com garra e fauce;

Os deuses vão-se;

As feras vêm. Iô Pã!

A matado,

Vou no corno levado

Do Unicornado.

Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!

Sou teu, teu homem e teu afã,

Cabra das tuas, ouro, deus, clara

Carne em teu osso, flor na tua vara.

Com patas de aço os rochedos roço

De solstício severo a equinócio.E raivo, e rasgo, e roussando fremo,

Sempiterno, mundo sem termo,

Homem, homúnculo, ménade, afã,

Na força de Pã.

IÔ Pã! Iô Pã Pã! Pã! Iô Pã!

domingo, 21 de setembro de 2008