segunda-feira, 28 de julho de 2008

Seminário Especial: Oficinas De Escritura Vita Nova (OEVN) Sandra Mara Corazza

Luciane Chiapinotto

Neldi Magalhaes Valmorbida

Marília Felipe

Claudia Regina Krauthein Gomes

Camila Lima Barrteo

Neila Gorgen

Fabio José Parise

Larisa da Veiga Vieira Bandeira

Eliane Maria Teixeira Leite Flores

Roberto Carlos Pinto Garcia

Luciana Kalil Santos

Elisabeth Medeiros de Oliveira

Maria Idalina Krause de Campos

domingo, 27 de julho de 2008

OFICINA DE ESCRITURA: 08/08/08

Biografema e fantasia
O NEUTRO – RB
FANTASIA

1- “Descrevo sobretudo carências, fantasias,“impossibilidades” (aporias) cuja única positividade é a tensão (a intensidade) que tento fazer reconhecer ( a mim mesmo).”(p.71/ linha 08)

2- “...o que permitiria opor somnus, sono sem sonho, a dream, ou ainda o fr. songe (sonho profético)
3- “...(falo sempre de um sono utópico por indução do despertar do neutro): seria possível até projetar nele a fantasia de uma hiperconsciência (≠ onirismo).” (p. 85/ linha 04)

4- “...→ utopia do sono a dois talvez desejada como ato de amor absoluto e, seja qual for a realização, como uma fantasia dourada.” (p. 89/linha 09)

5- “...→ raiva em bares, restaurantes. Por quê? Provavelmente humilhação, fantasia “ do rei” : “Fazer esperar? A mim?”: recusa da situação transferencial: esperar = submeter-se passivamente a um poder...” (p.152 / linha 08)

6- “Entendo por gestos atos de separação, de secessão que não comportam obrigatoriamente uma teatralidade (é a definição clássica de gesto ≠ ato, mas um quantum brilhante de fantasia, de desejo ou de gozo: quer o gesto visivelmente satisfaça, conforte seu sujeito, quer o gesto de retirada de outro cause inveja, fantasmaticamente, ou seja, projetando-nos no relato...” (p.283)

7- “ Ressaltar algumas marcas dessa retirada para Bienne, retirada real, pois haverá outro Rousseau → “retirada fantasmática”: 1) Fantasia insular (bem conhecida: fantasia infantil, cf. fantasia do barco, aqui realizada (ora, qual prazer maior que a realização de uma fantasia?): ruptura com a terra firme, o que quer dizer: autarcia, prazer da autarcia: completude...” (p. 284)

8- “Talvez, aliás, a fantasia de desdobramento seja mais importante.” (p. 290)

9- “Menos subjetivo, pois a literatura policial e de aventura: a fantasia dos lugares de duas entradas, das quais uma, evidentemente, secreta: Ársene Lupin → solução mítica que regara triunfalmente as duas exigências: refúgio que projeta mas não seja uma armadilha.”(p.291)

10- “Significação do mito (precisamente a que me impressiona): 3) gozo de uma soberania ao mesmo tempo fantasmática e “ prática”;” (p.292)

11- “Como fantasia, retirada evidentemente ligada à idéia de mudança radical, completa de vida: fantasia muito ativa, sobretudo quando se envelhece (visto que o problema não é deixar de envelhecer, mas entrar vivo na velhice). Sobre essa Vita Nuova, três observações: a) Fantasia: seu caráter constitutivo: o radicalismo.” (p.304-306)

12- “Deixemos de lado a “psicologia” e fiquemos aqui com uma forma raramente considerada pela análise: o delongamento – forma porém importantes, se reconhecermos que há indivíduos que não conhecem ou não reconhecem seu desejo ( pelo menos não de imediato: conheço minhas fantasias “imediatamente”, mas e os meus desejos?) Delongo a resposta ao que é incidente, à pergunta que os interroga. (p.404)

13- “Sobre este último ponto, foi lembrado que toda pesquisa, em se tratando pelo menos dos problemas da discursividade, deve assumir sua originalidade fantasmática: as pessoas estudam o que desejam ou que temem;” (p.430)

BIOGRAFIA: (s/biografema)

1 - “Portanto, que biblioteca? A da minha casa de férias, ou seja, lugar-tempo onde a perda de rigor metodológico é compensada pela intensidade e pelo gozo da leitura livre. Descrever essa biblioteca, explicar sua origem, seria entrar na biografia, na história familiar: biblioteca de um sujeito = uma identidade forte, completa, um retrato.” (p. 22)




Biografema e fantasia
O NEUTRO – RB
FANTASIA

1- “Descrevo sobretudo carências, fantasias,“impossibilidades” (aporias) cuja única positividade é a tensão (a intensidade) que tento fazer reconhecer ( a mim mesmo).”(p.71/ linha 08)

2- “...o que permitiria opor somnus, sono sem sonho, a dream, ou ainda o fr. songe (sonho profético)
3- “...(falo sempre de um sono utópico por indução do despertar do neutro): seria possível até projetar nele a fantasia de uma hiperconsciência (≠ onirismo).” (p. 85/ linha 04)

4- “...→ utopia do sono a dois talvez desejada como ato de amor absoluto e, seja qual for a realização, como uma fantasia dourada.” (p. 89/linha 09)

5- “...→ raiva em bares, restaurantes. Por quê? Provavelmente humilhação, fantasia “ do rei” : “Fazer esperar? A mim?”: recusa da situação transferencial: esperar = submeter-se passivamente a um poder...” (p.152 / linha 08)

6- “Entendo por gestos atos de separação, de secessão que não comportam obrigatoriamente uma teatralidade (é a definição clássica de gesto ≠ ato, mas um quantum brilhante de fantasia, de desejo ou de gozo: quer o gesto visivelmente satisfaça, conforte seu sujeito, quer o gesto de retirada de outro cause inveja, fantasmaticamente, ou seja, projetando-nos no relato...” (p.283)

7- “ Ressaltar algumas marcas dessa retirada para Bienne, retirada real, pois haverá outro Rousseau → “retirada fantasmática”: 1) Fantasia insular (bem conhecida: fantasia infantil, cf. fantasia do barco, aqui realizada (ora, qual prazer maior que a realização de uma fantasia?): ruptura com a terra firme, o que quer dizer: autarcia, prazer da autarcia: completude...” (p. 284)

8- “Talvez, aliás, a fantasia de desdobramento seja mais importante.” (p. 290)

9- “Menos subjetivo, pois a literatura policial e de aventura: a fantasia dos lugares de duas entradas, das quais uma, evidentemente, secreta: Ársene Lupin → solução mítica que regara triunfalmente as duas exigências: refúgio que projeta mas não seja uma armadilha.”(p.291)

10- “Significação do mito (precisamente a que me impressiona): 3) gozo de uma soberania ao mesmo tempo fantasmática e “ prática”;” (p.292)

11- “Como fantasia, retirada evidentemente ligada à idéia de mudança radical, completa de vida: fantasia muito ativa, sobretudo quando se envelhece (visto que o problema não é deixar de envelhecer, mas entrar vivo na velhice). Sobre essa Vita Nuova, três observações: a) Fantasia: seu caráter constitutivo: o radicalismo.” (p.304-306)

12- “Deixemos de lado a “psicologia” e fiquemos aqui com uma forma raramente considerada pela análise: o delongamento – forma porém importantes, se reconhecermos que há indivíduos que não conhecem ou não reconhecem seu desejo ( pelo menos não de imediato: conheço minhas fantasias “imediatamente”, mas e os meus desejos?) Delongo a resposta ao que é incidente, à pergunta que os interroga. (p.404)

13- “Sobre este último ponto, foi lembrado que toda pesquisa, em se tratando pelo menos dos problemas da discursividade, deve assumir sua originalidade fantasmática: as pessoas estudam o que desejam ou que temem;” (p.430)

BIOGRAFIA: (s/biografema)

1 - “Portanto, que biblioteca? A da minha casa de férias, ou seja, lugar-tempo onde a perda de rigor metodológico é compensada pela intensidade e pelo gozo da leitura livre. Descrever essa biblioteca, explicar sua origem, seria entrar na biografia, na história familiar: biblioteca de um sujeito = uma identidade forte, completa, um retrato.” (p. 22)




OFICINA: Fantasias de escritura: devir-infantil de currículos nômades


Biografema e Fantasia
A preparação do romance I – RB

Conceito de FANTASIA:
1- Fantasias de escritura:
“O ‘querer-escrever’ = atitude, pulsão, desejo. (...). Scripturire. (...) pulsão e atividade estão aqui numa relação autonímica: o querer-escrever depende apenas do discurso daquele que escreveu – ou só é recebido como discurso daquele que conseguiu escrever. (...) somente as obras literárias dão testemunho do Querer-escrever – e não os discursos científicos. É talvez a própria definição tópica da escritura (da literatura) oposta à Ciência: ordem do saber, na qual o produto não é distinto da produção, a prática da pulsão (nisso, pertencente a uma erótica) – Ou ainda: escrever só é plenamente escrever quando à renúncia à metalinguagem; não se pode, portanto, dizer o Querer-escrever senão na língua do Escrever. (...). Para Proust, escrever serve para salvar, para vencer a Morte: não a sua, mas a daqueles que ele ama, testemunhando por eles, perpetuando-os, erigindo-os fora da não-Memória.” (p.15/16/17/18).
2- Fantasias de escritura:
“(...) Querer-escrever (scripturire) podia impor-se como o Recurso, a Prática cuja força fantasmática permitia uma nova partida em direção de uma Vita Nuova.” (p. 19/20).
“Por muito tempo acreditei que havia um Querer-escrever em si: escrever, verbo intransitivo – hoje tenho menos certeza. Talvez querer-escrever = querer escrever algo > Querer-escrever + objeto. Haveria Fantasias de escritura: tomar a expressão em sua força desejante, isto é, compreendendamo-lo em igualdade com as fantasias ditas sexuais. Uma fantasia sexual = um enredo com um sujeito (eu) e um objeto típico (uma parte do corpo, uma prática, uma situação), essa conjunção produzindo um prazer > Fantasia de escritura = eu produzindo um “objeto literário”; isto é, escrevendo-o (aqui a fantasia apaga, como sempre, as dificuldades, os fiascos) ou então quase terminando de o escrever.” (p. 20).
3- “Fantasias ‘sutis’, ‘originais’: podem existir mas segundo uma marginalidade quase indizível; não podem se fazer ouvir senão passando à ordem literária.” (p.21).
4- Fantasias de Escritura:
“(...) para funcionar, a fantasia (de Poema, de Romance) deve ficar ligada a uma imagem grosseira, codificada: o Poema, o Romance. > É somente ao lutar com o real (a prática poética, romanesca) que a fantasia se perde como fantasia e atinge o Sutil, o Inédito.” (p.22).
“A fantasia como uma energia, um motor que põe em marcha, mas aquilo que ela produz em seguida, realmente, não depende mais do Código.” (p. 22).
“A fantasia de escritura serve de guia à Escritura: a Fantasia como guia iniciático.” (p.22).
5- “Fantasia= ‘resto’ irredutível de todas as operações de redução metaromanescas.” (p.24).
6- “A fantasia se apodera do “Romance excepcional”: o Romance gigante, mas também o Romance ‘dejeto’. “ (p.25).
7- “A Fantasia de Romance: parte de alguns romances; (...) o Primeiro Prazer (de leitura). (...) a Fantasia (e seu ardor de desejo) tende a se alargar, a se ultrapassar, a se sublimar. > Dialética do Desejo e do Amor.” (p.27).
8- “Há pois, no haicai, como que um germe, uma virtualidade da fantasia = enredo breve, enquadrado, no qual eu me coloco em estado de desejo, de prazer projetado.” (p.117).


Conceito de BIOGRAFEMA:
1- “Diferença entre o aoristo e o perfeito = a do relato histórico com relação ao discurso. Aoristo: o acontecimento fora da pessoa do narrador = forma típica da história. (...). Perfeito: estabelece um vínculo vivo entre o acontecimento passado e o presente no qual sua evocação se situa = tempo daquele que relata os fatos como testemunha, participando dos mesmos. (...). Perfeito na primeira pessoa: tempo autobiográfico por excelência. > Perfeito: o ponto de referência é o momento da enunciação. Aoristo: o ponto de referência é o momento do acontecimento.” (p. 153).

Conceito de ESCRITURA:
1- “(...) dizê-lo encoberto, oculto: é isto a escritura: talvez uma força terrível, imperiosa, corajosa, de de-cepção.” (p.139).
2- “(...) pela escritura algo opera, mas não é um efeito.” (p.140).
3- “Haicai: signo, e, no entanto, “espantoso”; talvez seja a definição da escritura: algo divino (esse Signo), epifania.” (p. 150).
4- “Sem dúvida, a escritura (como ato complexo e completo) nasce no momento da cópia (Nota): ligações enigmáticas da escritura com a cópia; (...).” (p.189).

Conceito de ROMANCE:
1- “O que chamo de Romance: é pois – por enquanto – um objeto fantasmático que não quer ser assumido por uma metalinguagem (científica, histórica, sociológica).” (p.23).
2- “Romance: espécie de grande Recurso > sentimento de que não nos sentimos bem em parte alguma. A escritura seria, pois, minha única pátria? Romance (como ‘algo a fazer’ agendum): aparece como Soberano Bem (...).” (p. 27).
3- “(...) o romance é fantasiado como ‘ato de amor’(...). Não se trata (mais) de amor apaixonado, mas de amor-Agápe. Amor apaixonado= falar de si como apaixonado = lírico; enquanto o Amor-Agápe: falar dos outros que se ama (Romance)...” (p.28).
4- Romance: “Dizer aqueles que se ama. Amar + escrever = fazer justiça àqueles que conhecemos e amamos, isto é, testemunhar por eles, (no sentido religioso), isto é, imortalizá-los.” (p.28).
5- “O Romance ama o mundo porque ele o abarca e abraça. Há uma generosidade do Romance, uma efusão, não sentimental (...). Romance: prática para lutar contra a secura do coração, a acídia.” (p. 29).
6- “... o Romance é uma estrutura – ou operação de mediação. A sentimentalidade é mediatizada: induzida, não declarada, proferida. (...) a pulsão de amor colore o romance: é tudo.” (p. 29/30).
7- “O Romance, de fato, não seria nem afirmação, nem negação, nem interrogação, e, no entanto: a) ele fala, fala; b) ele se dirige, interpela. (...) o Romance é um discurso sem arrogância, ele não me intimida; é um discurso que não me pressiona.” (p. 30/31).
8- “(...) no horizonte da divisão, isto é, da proliferação densa da Anotação, está o Romance.” (p.191).
9- “Romance (Utopia, Fantasia, Soberano Bem)...” (p.206).
10- “O Romance com efeito (já que dele se trata), em seu grande e longo fluxo, não pode sustentar a ‘verdade’ (do momento): Não é a sua função. Eu o represento como um tecido (=Texto), uma vasta e longa tela pintada de ilusões, de logros, de coisas inventadas, de “falsidade” (...).” (p. 224).
11- “(...) o Romance começaria não pelo falso, mas quando se misturam, sem previnir, o verdadeiro e o falso: o verdadeiro gritante, absoluto, e o falso colorido, brilhante, vindo da ordem do Desejo e do Imaginário. > o romance seria poikilos, estampado, variado, mosqueado, sarapintado, coberto de pinturas, de quadros, vestimenta bordada, complicada, complexa; (...) > o poikilos do romance = um heterogêneo, um heterológico de Verdadeiro e Falso.” (p.224).
12- “(...) conseguir fazer um romance é, no fundo, aceitar mentir, conseguir mentir – mentir com aquela mentira segunda e perversa que consiste em misturar o verdadeiro e o falso.” (p. 224/225).
13- “(...) a resistência ao romance, a impotência da prática do romance seria uma resistência moral.” (p.225).



OFICINA DE ESCRITURA VITA NOVA: 08/08/08, 18h-21h, Letras & Cia., Osvaldo Aranha 440.


FANTASMA. al. phantasie; esp. fantasía; fr. fantasme; ing. fantasy ou phantasy. Termo utilizado por freud primeiro no sentido corrente da língua alemã (fantasia ou imaginação), depois como um conceito, a partir de 1897. correlato da elaboração da noção de realidade psíquica e do abandono da teoria da sedução, designa a vida imaginária do sujeito e a maneira como este representa para si mesmo sua história ou a história de suas origens: fala-se então de fantasia originária. Em francês, a palavra fantasme foi forjada pelos primeiros tradutores da obra freudiana, num sentido conceitual não relacionado com a palavra (vernácula) fantaisie. Deriva do grego phantasma (aparição, transformada em “fantasma” no latim) e do adjetivo fantasmatique (fantasmático), outrora próximo, por sua significação, de fantomatique (fantasmal, fantasmagórico). A escola kleiniana criou o termo phantasy (phantasia) ao lado de fantasy. No Brasil, também se usa fantasma.

Fantasme ou phantasmeA grafia usual da palavra é fantasme, mas é encontrada, às vezes, escrita phantasme, mesmo que as obras de referência apresentem esta última grafia como antiga, quiçá desaparecida.
A inicial ph- deriva do fato que a palavra entrou na língua francesa no século XII, pela via de uma renovação do latim imperial (séculos I e II da nossa era), phantasma, forma que é, em si mesma, uma transposição da palavra grega que significa « aparição, visão » (a grafia com ph corresponde a uma pronúncia aspirada em grego).
O termo fantasme tem fortalecido o seu uso no século XX, especialmente pelo emprego que a psicanálise faz dela (ele traduz aquilo que Freud chamou em alemão Phantasie). Certamente se pode associar sentidos diferentes às duas grafias (phantasme et fantasme), mas essa distinção não é conservada, de maneira geral, em francês.
Exemplos : - Il a eu tôt fait de retomber dans ses mêmes vieux fantasmes.- Les théories de Freud ont largement contribué à répandre le mot fantasme dans l’usage. - Les fantasmes traduiraient des désirs plus ou moins refoulés.- Cela suscite des discussions qui alimentent les fantasmes.

FANTASIA
– ‘chamamos esse imaginário de fantasia de idiorritmia’ [p.330, de Como viver junto]
– ‘a fantasia idiorrítmica’ [p.331]

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Juan José Saer: "A pesquisa" ou


"só pelo fato de existir, todo relato é verídico" (p.19)








sexta-feira, 11 de julho de 2008

Neuor


(22)
Neuor, 30 setembro, terça, 8h 59min, 2050.
Nelli-Z
1. Chimère
Maravilha poder escrever-e-ler
não como quem acaba de nascer mas de morrer
de quem vive-escreve com vontade
ludicamente luxuriosamente sedutoramente
privilegiando cortes linhas não divisórias
tempos divergentes convergentes paralelos
exigência de começo que é dor extrema
na medida em que é somente um talvez
uma ilusão contudo incontestável
ameaçada de destruição sem nunca ter sido
incapacitada de chegar ao fim
longe da morte reparadora que Hegel nos fez esperar.
2. Histoires brisées
Escrever-e-ler em linguagem clara concisa caprichada
por vezes vacilante frouxa um tanto tímida
outras vezes potencializada forte desinibida
corajosa valente guerreira inteligente original criativa fluida gostosa.
Lugares-comuns? Lindo-de-morrer, claro. Imagina só!
3. Conte vraisemblable
Trabalhar com o pensamento filosófico de cheio
é um verdadeiro escândalo absurdo pros políticos-oficiais
pras autoridades molares de sentimentos humanitários repetitivos fatigantes
pra quem acima de tudo está a vida a saúde a educação a moradia
a segurança a distribuição de renda e de cultura
a vida cidadã a vida digna a vida justa
primeiro as deles evidentemente
depois se sobrar alguma
vai
se for
pro resto
que somos nós.
4. Mystérieuse MOI
Ousadia
ousa dia
ou sadia escrileitura.
5. Harmonieuse MOI
Transgressão de valores consagrados
pra ver se ao menos nos salvamos
do tédio.
6. Passage de Fouror
Paixão encravada pela escrileitura
dá pano pra muita manga.
7. Divise
Divisa do Ducado da Borgonha
tornada a da nossa escrileitura:
– Tenho pressa.
(Dam important things to do, já dizia o castor.)
 Não que nos falte paciência.
Não temos mais é tempo.
Estamos velhos demais
pras citações em destaque revisões teóricas bibliográficas conceituais
textos livros frases ruins idiotices besteiras babaquices
pros jás sabido lido dito escutado pensado carregado.
 O que nos interessa dá graça empurra pra frente
é ver como conceitos são operados
idéias antigas são usadas e rodopiam com novas músicas.
 Esta é nossa jouissance:
a canibalização que o ex-spectator
faz em sua própria crítica-escrileitura.
8. Propos sur las bêtises
Agora, claro, se você quiser escrever e ler besteiras,
meu caro, o problema é seu, não nosso.
Mas, quando chegar perto de nós, tenha dó!
Guarde-as em suas gavetas, em suas meias, em suas cuecas,
em suas obturações, em seu cérebro de palha de espantalho, sim?
Porém, se você estiver tão submetido ou domesticado
e for obrigado a repetir o que outros já escreveram e leram
(aliás, sempre muito melhor do que você),
vai ter de repetir.
Só queremos estar ausentes.
9. Fleur solitaire
Escrileitura reptiliana
réptil com êxtases de ave
reptilianamente fantasística
de evasivas cobras façamos répteis furiosos.
10. En garde!
Seu SalamandroSane.
***