quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Procedimentos de sadiana Escritura (Oficina do dia 29)

“Para Sade, só há erotismo se se ‘raciocina o crime’" (BARTHES, Sade, Fourier, Loyola, p. 18).
1.
“Ás onze horas, os amigos irão até o aposento das mocinhas onde será servido o desjejum, composto por chocolate ou torradas com vinha da Espanha, ou outros restauradores apropriados. Esse desjejum será servido pelas oito mocinhas nuas, ajudadas pelas duas velhas Marie e Louison, encarregadas do harém das mocinhas, as duas outras sendo encarregadas do dos rapazes. Se os amigos sentirem vontade de cometer impudores com as mocinhas durante, antes ou depois desse desjejum, elas deverão se entregar com a resignação devida e à qual não podem faltar sem serem severamente punidas. Fica acertado que não haverá orgias secretas e particulares naquele momento e que os eventuais instantes de devassidão haverão de se passar entre eles e diante de todos os que assistirem ao desjejum” (SADE, Os 120 dias de Sodoma, p. 54).

2.
"Não que tenhais muito a ganhar com essa conduta, mas teríeis muito a perder não a respeitando. Examinai vossa situação, o que sois, o que somos, e que essas reflexões vos estremeçam. Estais fora de França, no fundo de uma floresta inabitável, atrás de montanhas íngremes cujos acessos foram cortados assim que por eles passastes. Estais trancafiada numa cidade impenetrável; ninguém sabe de vossa presença aqui; fostes apartadas de vossos amigos e parentes: já estais mortas para o mundo e apenas respirais para nossos prazeres. E quem são os seres a quem estais agora subordinadas? Celerados convictos e reconhecidos, cujo deus é a lubricidade, cuja lei é a sua depravação, cujo freio é a sua devassidão; são homens dissolutos, sem deus, sem princípios, sem religião” (SADE, Os 120 dias de Sodoma, p. 60)
3.
“E, por sinal', acrescentou o financista, 'a meu ver, falta uma coisa essencial à nossa felicidade: o prazer da comparação, prazer que não pode nascer senão do espetáculo dos infelizes, e não vemos nenhum por aqui. É da visão de quem sofre e não goza daquilo que tenho que nasce o charme de poder se dizer: portanto, sou mais feliz do que ele. Em qualquer lugar onde os homens serão iguais e onde estas diferenças faltarem, a felicidade nunca existirá. É a história do homem que apenas conhece bem o preço da saúde quando adoece'" (SADE, Os 120 dias de Sodoma, p. 142).

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

HOJE, 25 de agosto de 1900 - Nietzsche morre

Imagem: http://farm2.static.flickr.com/1228/1130503143_6d747809b6.jpg
"Prefiro pouco ou má companhia, mas é necessário que venha e se vá embora no momento certo" (F.Nietzsche).

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

“A sombra do fotógrafo amador, parente querido e de afetuosa confiança, explica o sorriso tranqüilo daquela que posa de uma significativa distância para a fotografia.
O ano é de 1980, se ela soubesse o quanto as coisas belas são difíceis de escrever não retornaria à escola como o fez em 1988”.

(Mayra Martins, oficina 15/08)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

caçador da branca de neve de samoa


O Horizonte no espelho.







CRONOLOGIA DE UM COLEGA DESCONHECIDO

1989 – ‘’ Volta para Porto Alegre mudando radicalmente sua ida trabalhando numa empresa como sócia’’.

ESCRITOS MEUS

... Mudanças, nuances de vida... de perfil, do modo de vida como queiram, louca-calma. Apostas que na esperança de diferenças de terreno... o trigo.
Horizontes na esperança das pérolas que voltarão.
Transitoriedade. Impermanencia de todas as coisas, percalços, acertos. A ambição ou a coragem, esta fundamental que impulsiona, diferente do medo paralisante.
Enfim, mudança. Aparente calmaria. A parada obrigatória que se faz necessária. Pronto. Hora de arrumar o ninho. O homem mostra o vinho à mulher, o filho’’. Àquele de perfil. Louca-calma, tudo vai ao mar.

(Tiago Silva Medeiros, oficina do dia 15/08 )
Era uma festa familiar na foto p&b. O SORRISO DA MÃE emoldurava um rosto de contentamento. Nos braços o que parecia ser uma de suas filhas. A mãe parecia querer perguntar : “a maternidade me deixa feliz ou o que me deixa feliz é a maternidade? “
A foto conta uma história que não é minha que vai sendo tramada pelos fios do destino para um outro. Vejo pela foto o tédio das horas pingando no conta-gotas do tempo, o som num eco parece dizer: separação.

Coisas que escrevi durante a oficina 15/08:
Um mundo outro, escrito por outra por pessoa, sobre mim, transformando-me em outra coisa que não eu mesma.(Claudia K*)

Da palestra sobre leitura da imagem e enunciado:
O enunciado da foto parece querer atrapalhar o que eu quero pensar sobre aquela imagem, não interessa o que quer que o enunciado diga.

(Claudia K*, oficina 15/08)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

AGUARDE!!! 2009


BIOGRAFEMÁTICA:
UMA PSICAGOGIA DA ESCRITA DE VIDA

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Atrás vitrais ao céu


O escritor é


O escritor (RB, Crítica e verdade, p.16-17)

O escritor é um experimentador público: ele varia o que recomeça; obstinado e infiel, só conhece uma arte: a do tema e das variações. Nas variações, os combates, os valores, as ideologias, o tempo, a avidez de viver, de conhecer, de participar, de falar, em resumo os conteúdos; mas, no tema, a obstinação das formas, a grande função significante do imaginário, isto é, a própria inteligência do mundo.

Que pai/mãe é esse?


De perfil, louca-mansa, vislumbra horizontes na certeza de que as pérolas voltarão ao mar


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

jamer - exercício 15/08

Entrou no ônibus naquela manhã com toda a normalidade que a rotina lhe reserva. Mal sabia ela que seu mundo sofreria um abalo tão grande quanto a repugnância que tinha pelo dia-a-dia.
Ao vê-lo sentado do lado direito do corredor não conseguia sequer virar o pescoço em sua direção. Suas mãos suavam tanto que mal suportava segurar a alça de sua bolsa.
Em poucos segundos projetou toda sua vida ao lado daquele estranho, como se o pensamento fosse uma bola de cristal. Desceram do ônibus no mesmo ponto e começaram o futuro naquela noite: recolhimento e mistério.

ps: verde = o enunciado da foto utilizada no exercício.

jamer - exercício 15/08

movimento: olhar fixo não cresce


Entre Pelotas e Porto Alegre, na esteira de vidas que se fazem e se desfazem como um turbilhão eólico de acontecimentos, aos 45 anos, em 1996, deparei-me com "Albaicyn, Granada: um novo velho mundo, luz e sombra para mim..." A vida em seu eterno jogo de forças novamente se constrói.

(Fábio Parise, oficina 15/08)

Biografemas de infância

Figuras da infância – Fernando Pessoa

“E se antigamente eu considerava esse sorriso como um insulto, porque implicasse uma superioridade, hoje o considero como uma dúvida inconsciente; como os homens adultos muitas vezes reconhecem nas crianças uma agudeza de espírito superior à própria, assim nos reconhecem, a nós que sonhamos e o dizemos, uma qualquer coisa diferente que eles desconfiam como estranha.” (Livro do Desassossego, p.119)

É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito.
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
(“O Guardador de Rebanhos”, VIII)

Sandra Mara Corazza – Uma Vida de professora

“senão lá, na boca de uma criança,
onde os gritos se recortam em fonemas, morfemas, semantemas;
lá, onde o corpo de uma criança
separa-se do sentido incorporal do infantil.
Nessa boca aberta,
onde cai a voz do outro,
e faz sobrevoar por cima dela os elevados ídolos”
(Metainfanciofísica, A super-criança, p. 50)

domingo, 17 de agosto de 2008

22 de agosto: BIOGRAFEMAS DE INFÂNCIA

Luiz Daniel Rodrigues & Marcos da Rocha Oliveira


Era uma vez e uma vez muito boa mesmo uma vaquinha-mu que vinha andando pela estrada e a vaquinha-mu que vinha andando pela estrada encontrou um garotinho engrachadinho chamado bebê tico-taco.
Seu pai lhe contava aquela história: seu pai olhava para ele através dos óculos; ele tinha um rosto peludo.
Ele era um bebê tico-taco. A vaquinha-mu vinha pela estrada onde Betty Byrne morava: ela vendia bala de limão.

Oh, os botões de rosa selvagem
Naquele lugarzinho verde.

E ele cantava aquela canção. Aquela era a sua canção.

Oh! O verde ia chatear!

Quando a gente molha a cama primeiro é quente depois fica frio. Sua mãe punha um oleado. Aquilo tinha um cheiro esquisito.
Sua mãe tinha um cheiro mais gostoso do que o seu pai. Ela tocava no piano a giga dos marinheiros para ele dançar. Ele dançava:

Tralalá lalá
Tralalá tralaladá
Tralalá lalá
Tralalá lalá

(James Joyce, Um retrato do artista quando jovem.)

22 de agosto: uma vida com espaços vazios

Do Livro do desassossego:
11.
"Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos - um poço fitando o céu."

12.
"Invejo - mas não sei se invejo - aqueles de quem se pode escrever uma biografia, ou que podem escrever a prórpia. Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer."





"Essa desorganização da biografia não é sua destruição. Na obra, numerosos elementos da vida pessoal são conservados, de maneira identificável, mas esses elementos estão de certo modo desviados" (RB, O rumor da língua. p. 354).

sábado, 16 de agosto de 2008


"Expediente"
'e quem sabe no fim, com os planos todos à esquerda,
descubra-se sozinho nesse jogo sujo, perigoso.
o jogo jogado por um sujeito mas assistido por muitos'
(Cristiano Bedin, oficina 15/08)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

I SARAU INFANTIL DO DIF: 31 OUTUBRO 17H FACED/UFRGS


TRAGA SUA CRIANÇA


sarau lítero-cênico-musical-pático

e infantil

O desejo de escrever e a Literatura


S.A. Em busca do romance perdido: a obra como vontade, a vida como obra
Professora Sandra Mara Corazza
Marcos da Rocha Oliveira
13 de agosto.
I Exercício de Escritura

19. O desejo de escrever e a Literatura (como Instituição ou Comércio).
O senhor Roland tinha grande certeza de que Literatura e Economia estavam muito próximas.
– Nada sobre capitalizar desejos – dizia ele – apenas uma maneira de lembrar o mundo.
Não era sem motivo, então, que o senhor Roland não possuía cadernetas de poupança ou mesmo uma simples carteira, apenas uma biblioteca muito particular.
– As notas – folheando um volume – eu as guardo sempre nos livros. Desta maneira – prosseguiu – cada Texto ganha o que merece.
Após tatear, com alguma pressa, o senhor Roland paga-me com uma boa nota sob o abajur.
– Hoje você mereceu Marcel...
Disse-me enquanto saía porta a fora.

A indomável fantasia de escrever


Exercício I
Felipe Aço


A indomável

A "indomável fantasia de escrever que tenho" subjuga-me a querer ser o universo todo que a mim perpassa. Dilacera-me a ânsia de ser compreendido aquém e além dos signos impostos. Como um turbilhão, os símbolos sensíveis/perceptíveis eclodem feito lava em erupção:
sem ponto de chegada, cindidos em mil partidas...

POR QUE ESCREVER


EXERCÍCIO 1
NARA LÚCIA GIROTTO

POR QUE ESCREVER.....
...para fazer caligrafia de carvão na madeira. Por que era fim de tarde, a brisa e o sol estavam na palmeira imperial. É isso, momentos raros de verdade e beleza ali, na coisa. Escrever para chegar no signo, perto do osso, no império da menor distância entre a coisa e a palavra. Na vontade de escrever à altura, na justa medida do acontecimento, aparece um excesso de sentido, no entanto, aquela palmeira verde dourada está longe da palavra. Por isso, ela quis pintar na precisão do traço, para reencontrar a infância assim:

para próxima oficina - 15/08


IMPORTANTE
traga uma foto (xerocada, de preferência) representativa
de sua própria vida, qualquer que seja.

lucianobedin














lucianocb@terra.com.br

domingo, 10 de agosto de 2008

FORMA É PODER. Pós-Oficina-08-08-08, SanMarCor


Forma é poder
Excertos de Paulo Leminski.
1.
Em práticas de texto, a ênfase no “conteúdo” está ligada a uma certa noção de “naturalidade” na expressão. A forma “natural” é a que revela o “conteúdo” de maneira mais imediata. Preocupações com a “forma” obscurecem o “conteúdo”.
2.
Essa “naturalidade”, porém, só é possível através de um automatismo. Só quem obedece a um automatismo pode ser natural. Isso que se chama “naturalidade” é uma convenção. O natural é um artifício automatizado, uma forma no poder. A despreocupação com a forma só é possível no academicismo.
3.
O discurso jorno/naturalista é o discurso do Poder.
4.
Esse poder é branco, burguês, greco-latino-cristão, positivista, do século XIX. Daí, as literaturas latino-americanas, em seu momento de afirmação, privilegiarem as variantes ditas “fantásticas” do realismo.
5.
Contra a “neutralidade” do discurso naturalista branco, levantam-se os discursos reprimidos das culturas oprimidas, o frenético dinamismo mitológico dos fodidos, sugados e pisados deste mundo. Dinamismo, também, de formas novas.
6.
A “neutralidade” (objetividade) do discurso jorno/naturalista é uma convenção. Assim como a clareza, apenas uma propriedade (retórica) do discurso. Não há texto literário sem perspectiva, quer dizer, sem intervenção da subjetividade. No texto naturalista (ou jornalístico), essa perspectiva é camuflada, sob as aparências de uma objetividade, uma Universalidade que – supostamente – retrata as coisas “tal como elas são”.
7.
Invoca-se em vão o nome do realismo, que se procura confundir com o naturalismo. Realismo quer dizer discurso carregado de referencialidade, não é sinônimo de naturalismo. Ao contrário. O discurso realista não camufla a perspectiva. Realistas (e não naturalistas) são textos como o “Ulisses” de James Joyce. Ou as “Memórias sentimentais de João Miramar”, de Oswald de Andrade.
8.
O naturalismo é incompatível com o experimento. Com a linguagem inovadora. O realismo favorece-os.
9.
A atitude naturalista convencional não enxerga a realidade, no experimento em prosa. Assim como não percebe sentimento no experimento poético. Pois identifica a expressividade com os signos convencionais do expressivo.
10.
Uma prática do texto criativo, coletivamente engajada, tem a função de desautomatizar. De produzir estranhamento. Distanciamento. É desmistificação de “objetividade” inscrita no discurso naturalista. Essa objetividade é falsa. Ela apenas reflete a visão do mundo de dada classe social, de determinada civilização. Sua pretensão a “discurso absoluto” é totalitária.
11.
Violação. Ruptura. Contravenção. INFRATURA. A poesia diz “eu acuso”. E denuncia a estrutura. A estrutura do Poder, emblematizada na “normalidade” da linguagem. Só a obra aberta (= desautomatizada, inovadora), engajando, ativamente, a consciência do leitor, no processo de descoberta/criação de sentidos e significados, abrindo-se para sua inteligência, recebendo-a como parceira e co-laboradora, é verdadeiramente democrática.

Existem palavras que deveriam fazer parte de uma nova categoria
gramatical chamada de palavras certas.
Não por serem perfeitas ou por
muito bem designarem as supostas coisas que elas representam, mas por serem justamente vazadas, líquidas,
e por mais
sobrecodificados que sejam os sentidos a elas concebidos,
basta um sopro
para que um outro sentido novamente as coloque fora de rota.


Biografia é uma dessas palavras certas.



ps: esta é a primeira postagem em relação à nossa próxima oficina,
"da consciência histórica à consistência biográfica",
que acontecerá dia 15 (no mesmo bat-horário e bat-local).
trata-se do incipt de minha proposta de tese,
"A vida em escrileitura : biografemas e o problema da biografia",
em breve disponível na página do DIF.
Luciano Bedin da Costa - lucianocb@terra.com.br

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

OFICINAS DE ESCRITURA VITA: LEMA, CONTRATO, ...


OFICINAS DE ESCRITURA VITA NOVA
– OEVN –


I. LEMA
C’est en écrivant qu’on devient écriveron.
(É escrevendo que alguém se torna escritor.)


II. CONTRATO
Deixai toda esperança, ó vós, que entrais!
Quem entra nas Oficinas de Escritura Vita Nova aceita todo e qualquer jogo de
– e sobre – as palavras.
(p/Raymond Queneau, Oulipo)


III. MOSTRAÇÃO
1. As OEVN não são:
um movimento literário
um seminário científico
de escritura espontânea.
2. As OEVN são:
oficinas de criação assistida e compartilhada.


IV. DESEJO
1. As OEVN atendem escrileitores.
2. Esperam e desejam escrileitores.
3. Os escrileitores fazem a sua realização.
4. Encorajam as descobertas.
5. As OEVN dedicam-se à criação assistida e compartilhada.


V. AFORISMOS
1. Um tempo para oficinas, um tempo para a escritura, um tempo para oficinas de escritura.
2. Um tempo para a escritura, um tempo para Vita Nova, um tempo para a escritura de uma Vita Nova.
4. Um tempo para oficinas, um tempo para a escritura, um tempo para Vita Nova,
um tempo para as
Oficinas de Escritura Vita Nova.

OFICINAS DE ESCRITURA VITA NOVA