segunda-feira, 20 de outubro de 2008

domingo, 19 de outubro de 2008

A Genialidade da Multidão, Charles Bukowski



A GENIALIDADE DA MULTIDÃO

Há bastante deslealdade, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano
comum
Para suprir qualquer exército em qualquer
dia.
E O Melhor No Assassinato São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E O Melhor No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E O MELHOR NA GUERRA
--FINALMENTE--SÃO AQUELES QUE
PREGAM
PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam PAZ
Não têm paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidados com os Sabedores.
Cuidado
Com Aqueles Que
Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS
Cuidado Com Aqueles Que Detestam
Pobreza Ou Que São Orgulhosos Dela
CUIDADO Com Aqueles Que Elogiam Fácil
Porque Eles Precisam De ELOGIOS De Volta
CUIDADO Com Aqueles Que Censuram Fácil:
Eles Têm Medo Daquilo Que
Não Conhecem
Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantes
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos
Cuidado
Com O Homem Comum
Com A Mulher Comum
CUIDADO Com O Amor Deles
O Amor Deles É Comum, Procura
O Comum
Mas Há Genialidade Em Seu Ódio
Há Bastante Genialidade Em Seu
Ódio Para Matar Você, Para Matar
Qualquer Um.
Sem Esperar Solidão
Sem Entender Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Seja Diferente
Deles Mesmos
Incapazes
De Criar Arte
Eles Não Irão
Compreender Arte
Eles Vão Considerar Sua Falha
Como Criadores
Apenas Como Uma Falha
Do Mundo
Incapazes De Amar Completamente
Eles Vão ACREDITAR Que Seu Amor É
Incompleto
E ELES VÃO ODIAR
VOCÊ
E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Sua Mais Fina
ARTE


The Genius of the Crowd
There is enough treachery, hatred,
violence,
Absurdity in the average human
being
To supply any given army on any given
day.
AND The Best At Murder Are Those
Who Preach Against It.
AND The Best At Hate Are Those
Who Preach LOVE
AND THE BEST AT WAR
--FINALLY--ARE THOSE WHO
PREACH
PEACE
Those Who Preach GOD
NEED God
Those Who Preach PEACE
Do Not Have Peace.
THOSE WHO PREACH LOVE
DO NOT HAVE LOVE
BEWARE THE PREACHERS
Beware The Knowers.
Beware
Those Who
Are ALWAYS
READING
BOOKS
Beware Those Who Either Detest
Poverty Or Are Proud Of It
BEWARE Those Quick To Praise
For They Need PRAISE In Return
BEWARE Those Quick To Censure:
They Are Afraid Of What They Do
Not Know
Beware Those Who Seek Constant
Crowds; They Are Nothing
Alone
Beware
The Average Man
The Average Woman
BEWARE Their Love
Their Love Is Average, Seeks
Average
But There Is Genius In Their Hatred
There Is Enough Genius In Their
Hatred To Kill You, To Kill
Anybody.
Not Waiting Solitude
Not Understanding Solitude
They Will Attempt To Destroy
Anything
That Differs
From Their Own
Not Being Able
To Crate Art
They Will Not
Understand Art
They Will Consider Their Failure
As Creators
Only As A Failure
Of The World
Not Being Able To Love Fully
They Will BELIEVE Your Love
Incomplete
AND THEN THEY WILL HATE
YOU
And Their Hatred Will Be Perfect
Like A Shining Diamond
Like A Knife
Like A Mountain
LIKE A TIGER
LIKE Hemlock
Their Finest
ART

I SARAU INFANTIL DO DIF


sábado, 18 de outubro de 2008

Hino a Pã



De Mestre Therion(Aleister Crowley)

Vibra do cio sutil da luz,

Meu homem e afã!

Vem turbulento da noite a fluxo

De Pã! Iô Pã!Iô Pã! Iô Pã!

Do mar de além

Vem da Sicília e da Arcádia vem!

Vem com Baco, com fauno e fera

E ninfa e sátiro à tua beira,

Num asno lácteo, do mar sem fim,

A mim, a mim!

Vem com Apolo, nupcial na brisa

(Pegureira e pitonisa),

Vem com Artêmis, leve e estranha,

E a coxa branca, Deus lindo, banha

Ao luar do bosque, em marmóreo monte,

Manhã malhada da âmbrea fonte!

Mergulha o roxo da prece ardente

No ádito rubro, no laço quente,

A alma que aterra em olhos de azul

O ver errar teu capricho exul

No bosque enredo, nos nós que espalma

A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente — do mar sem fim

(La Pã! Iô Pã!),

Diabo ou deus, vem a mim, a mim!

Meu homem e afã!

Vem com trombeta estridente e fina

Pela colina!

Vem com tambor a rufar à beira

Da primavera!

Com frautas e avenas vem sem conto!

Não estou eu pronto?

Eu, que espero e me esforço e luto

Com ar sem ramos onde não nutro

Meu corpo, lasso do abraço em vão,

Aspire aguda, forte leão — Vem, está vazia

Minha carne, fria

Do cio sozinho da demonia.

A espada corta o que ata e dói,

O’ Tudo-Cria, Tudo-Destrói!

Dá-me o sinal do Olho Aberto,

E de coxa áspera o toque ereto,

E a palavra do Louco e do Secreto,

O ‘ Pã! Iô Pã!Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã!

Sou homem e afã:

Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande!

Meu Pã!Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra

Do aperto da cobra.

A águia rasga com garra e fauce;

Os deuses vão-se;

As feras vêm. Iô Pã!

A matado,

Vou no corno levado

Do Unicornado.

Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!

Sou teu, teu homem e teu afã,

Cabra das tuas, ouro, deus, clara

Carne em teu osso, flor na tua vara.

Com patas de aço os rochedos roço

De solstício severo a equinócio.E raivo, e rasgo, e roussando fremo,

Sempiterno, mundo sem termo,

Homem, homúnculo, ménade, afã,

Na força de Pã.

IÔ Pã! Iô Pã Pã! Pã! Iô Pã!